Blog do papa-figo


11/07/2009


ECOS DO SÃO JOÃO

VITALINO É O DEUS DO BARRO

E SARNEY É O DEUS DA LAMA

 

As festividades juninas deste ano foram das mais quentes. E não foi só por causa das fogueiras. De cabo a rabo do Brasil, o São João do Carneirinho arrombou a boca do balão. Em Brasília, por exemplo, além da boca do balão, os animados forrozeiros arrombaram as portas do cofre. Concorrendo com a Capital do Forró, a Capital Foderal investiu pesado nas quadrilhas. Enquanto na terra de Vitalino imperam a Gaydrilha e a Sapatrilha, no Planalto Central predominaram a Sarneydrilha, a Senadrilha e a Agacieldrilha. Além desses folguedos, rolou de um tudo. Teve nego que pulou fogueira, feito o Edmar Castelão. Teve um metalúrgico que, acostumado com os altos fornos das indústrias, resolveu botar a mão no fogo e agora se encontra com as barbas de molho.

Na casa de forró Salão Azul, enquanto os Tubarões do Forró roubavam o espetáculo, a mesa diretora de iguarias juninas fazia sucesso e todos queiram pegar uma boquinha. E o resultado é que se viu muita gente queimando a língua e outros terminando com batata quente na mão.

Não faltou a tradicional guerra de espadas, que, por ser considerada uma brincadeira ultrapassada, gerou protestos dos integrantes do PMDB do B – Partido do Movimento Da Bicharada do Brasil -, que acusou o folguedo de machista e homofóóóóbico. Em lugar das espadas, eles optaram por soltar estrelinha, traque de massa e rodinha. Daí em diante o panorama mudou. O que se viu foi nego de quatro atrás da porta queimando estrelinha, outros pulando de susto pelo barulho do traque de massa. Mas a maioria preferiu mesmo foi soltar a rodinha.

 

A QUADRILHA

Alvantu! (que em francês significa "leva tudo")

Anarriê! (que significa dar ré)

Balancê! (que na língua de De Gaulle significa "balançar")

Lá vem a polícia

Sujou, sujou!

Olha a entrevista!

Olha a mansão!

Olha a chuva!

Daniel Dantas vai falar!

- Todos correm e a festa acaba.
- Começam a cair notas no salão e todos correm pra pegar o maior número que puder.
- Todos gritam "não é minha, não minha"...
- Todos começam a gritar: "eu não sabia, eu não sabia"...
- Todos escondem o rosto com o paletó.
- Todo mundo bota mão pra cima.
- Agaciel e seus cabras botam todo mundo pra dançar.
- Alguns devolvem a grana dizendo que foi um engano, enquanto outros se escondem atrás das colunas.
- Todos correm e esvaziam o cofre mais próximo.
- Lá pelas tantas, com o quengo cheio de quentão, cumpade Zé Sarney, o puxador oficial, resolveu começar a quadrilha. Ao som de uma sanfona de oito baixos – quando foi comprada tinha120 baixos, mas 112 foram doados ao grupo de forró "Agaciel e seus 40 cabras da peste", através de um ato secreto. Para quem não entende de folguedo junino, aí vai o roteiro da Sarneydrilha:

Escrito por papa-figo às 16h39
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