TRINIDAD Y TOBAGO (Ivan Pé-de-Mesa, enviado especial) – Designado a cobrir essa tal de Reunião de Cópula de las Américas, lá foi-se o locutor que vos tecla descobrir onde goitana fica esse tal de Trinidad Y Tobago. Pensando tratar-se de uma dupla caipira, fui bater em Barretos, no interior de São Paulo. Lá, no entanto, fui informado de que a dupla não mais existia. Com a morte de Trinidad, Tobago agora estava cantando ao lado de Leonardo, formando a dupla Leonardo e Tobago.
Ligando para a redação, me informaram que a tal reunião ocorreria num país da América Latina. Puta que os Caribe! Fui pra Estação da Luz e peguei o trem Madeira-Marmoré. Ao ver que ninguém vinha cobrar minha passagem, pedi informações a um senhor muito do branco, sentado solitário. Ele me informou que aquele era um trem fantasma, pois a ferrovia nunca fora inaugurada e que aquela composição só trans-portava as almas dos trabalhadores que morreram durante a frustrada construção da ferrovia. Mas ele daria um jeito de me deixar em Trinidad Y Tobago.
Nisso ouvi um papoco e me vi caído no porão de um navio, onde um marinheiro tentava me acordar, utilizando um balde de água gelada. Ele então me explicou que, na realidade, eu havia topado fazer aquela viagem até Trinidad y Tobago lavando os porões daquele cargueiro, que fazia o transporte de rum, do Caribe para a fábrica da Montilla em Suape. O pessoal só estranhava que eu, antes de lavar os porões, ficava lambendo as paredes e bebendo os resíduos de rum que se acumulavam nos cantos dos reservatórios. Até desmaiar de tão bêbado.
UMA AVENTURA DO CARIBE - Depois de me recompor com um café amargo e dois copos de rum, desci a Port of Spain, a capital. A presença da importante reunião estava em toda parte. Comunistas e hippies se misturavam aos figurões, chegando a lembrar Olinda, que eu supunha ser o único lugar do mundo onde ainda existem comunistas e hippies.
No campus onde se realizavam as sessões, via-se de um tudo. Evo Morales, por exemplo, arrastava um fardo de folhas de coca para consumo próprio, argumentando com Obama que aquilo não fazia mal a ninguém. Ao que o americano afirmava que preferia Pepsi. Cristina Kirschner puxava Nestor pela coleira e Chávez empurrava Fidel numa cadeira de rodas, devidamente disfarçado de Chapolin – Fidel, não Chávez. Num canto escuro Lula batia quatro dedos de prosa com Lugo, que tentava se esconder de um bando de pirralhos de diferentes idades, que o procuravam com exames de DNA em punho.
Foi nesse momento que resolvi me aliviar do excesso de rum ingerido e me dirigi ao primeiro mictório que encontrei. Ao começar a verter água, notei que um negão que mijava a meu lado começou a arregalar os olhos e apontar pra minha sucuri. “My God!”, balbuciava ele, enquanto comparava a minha jabiraca com a sua. Ao olhar direitinho, notei que se tratava do companheiro Obama. “That’s the man!”, repetia ele, assombrado.
E, sem mais nem menos, me arrastou pelo braço, saindo de uma espécie de túnel exatamente num palco em frente à multidão que se acotovelava à espera de seu discurso. Ao surgir em frente ao microfone, ele ergueu meu prativai e berrou: “Man, this man is the man of the dick!”. Ao que o populacho delirava: “Yes we can!”, “Yes we can!”… Senti minhas forças a se esvair ao som daquele estribilho. “Man, this man is the man of the dick!”. E o eco “Yes, we can!”... Acordei, no dia seguinte, com uma dor de cabeça da goitana, com a cara sobre minha velha máquina Remington 22, na redação do “Papa”. Só estranhei quando encontrei em um guardanapo no bolso do meu jaquetão: “Call me tomorrow”.
O PAPA-FIGO – ANO XXV – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione (Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou). Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br


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