Olinda do “Maconhão”
Que tantas viagens nos deu
Sem ter entrado na água
Eu passeava com Deus
Vendo a dona Iemajá
Sorrindo a velejar
Só acenando aos seus
A noite era uma festa
Olhando para o Fortim
Gleide e Caveirinha
O Geneton e Amim
E Rodolfo Aureliano
Que já chegava fumando
Vestido de Arlequim
Nos dias de baculejo
Tinha meganha por lá
Sempre quebrando a cara
Ficavam a revistar
Mas tava tudo limpeza
Alguém dava um toque pra mesa
“Os home tão pra chegar”
O “Maconhão” acabou
O pogressio assim exigiu
Ficamos sem pai e sem mãe
E Olinda não mais existiu
Do jeito que a gente queria
Restou o bar de Maria
Que também se disminlinguiu
O bloco Siri na Lata
Fez a alegria nascer
Nas hostes da “Peixaria”
Um carnaval pra valer
Era uma festa danada
Naquela barraca lascada
Até o dia morrer
Porém o tempo passou
E lá se foi o “Siri”
Criamos o “Caranguejo”
E não saímos dali
Voltamos à “Peixaria”
Com risos e putaria
Frevo, cachaça e xixi
Hoje, abro o jornal
Depois de um longo dia
Meu peito se dilacera
Pois a manchete anuncia
“Pra melhorar a visão
Daqueles que vêm e que vão
Derrubaram a ‘Peixaria’”.
Qué isso, ó minha prefeita?
Boêmio também quer respeito
Turista é gente importante
Mas é preciso ter jeito
O passado tem tempo de glória
Boemia também é história
Mas o mal pelo mal já tá feito.
- Amém.
O PAPA-FIGO – ANO XXIV (ops!) – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione
(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).
Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br


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