Blog do papa-figo


12/03/2008


RÉQUIEM PARA A "PEIXARIA"

Olinda  do “Maconhão”

Que tantas viagens nos deu

Sem ter entrado na água

Eu passeava com Deus

Vendo a dona Iemajá

Sorrindo a velejar

Só acenando aos seus

 

A noite era uma festa

Olhando para o Fortim

Gleide e Caveirinha

O Geneton e Amim

E Rodolfo Aureliano

Que já chegava fumando

Vestido de Arlequim

 

Nos dias de baculejo

Tinha meganha por lá

Sempre quebrando a cara

Ficavam a revistar

Mas tava tudo limpeza

Alguém dava um toque pra mesa

“Os home tão pra chegar”

 

O “Maconhão” acabou

O pogressio assim exigiu

Ficamos sem pai e sem mãe

E Olinda não mais existiu

Do jeito que a gente queria

Restou o bar de Maria

Que também se disminlinguiu

 

O bloco Siri na Lata

Fez a alegria nascer

Nas hostes da “Peixaria”

Um carnaval pra valer

Era uma festa danada

Naquela barraca lascada

Até o dia morrer

 

Porém o tempo passou

E lá se foi o “Siri”

Criamos o “Caranguejo”

E não saímos dali

Voltamos à “Peixaria”

Com risos e putaria

Frevo, cachaça e xixi

 

Hoje, abro o jornal

Depois de um longo dia

Meu peito se dilacera

Pois a manchete anuncia

“Pra melhorar a visão

Daqueles que vêm e que vão

Derrubaram a ‘Peixaria’”.

 

Qué isso, ó minha prefeita?

Boêmio também  quer respeito

Turista é gente importante

Mas é preciso ter jeito

O passado tem tempo de glória

Boemia também é história

Mas o mal pelo mal já tá feito.

- Amém.

 

O PAPA-FIGO – ANO XXIV (ops!) – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione

(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).

Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br

 

Escrito por papa-figo às 22h31
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