“Bione, caba, aguarde instruções”. Essa era a senha com que muitas vezes Robertinho me recebia em seu Empório Sertanejo. Eu pedia uma dose, me aboletava numa mesa e ficava bebericando e olhando pra maçaranduba do tempo. Daqui a pouco um garçom chegava de mansinho: “Bione, Robertinho tá te chamando lá atrás”. E lá estava uma mesa posta, o carro com a mala aberta e Rober-tinho com uma dose pra ele e outra pra mim. “Ouve esse que comprei hoje”, dizia, dirigindo-se ao carro para aumentar o volume e realçar os arranjos que ele tanto admirava.
E ali desfilavam, para nosso deleite, Moacir Franco, Sílvio Caldas, Roberto Carlos dos velhos tempos, Zé Renato, Antônio Marcos e tantos outros. Depois eu pedia o CD emprestado para copiar. No dia seguinte, passava lá para devolver e ele recebia com um: “Tinha pressa não, caba!”. Ao que eu retrucava: “Se eu não devolver você não me empresta mais”. Essa é a melhor recordação que guardo de Robertinho, fora nossos encontros nos jogos do Santa Cruz.
Hoje, como seu ídolo Sílvio Caldas, ele anda pisando nos astros distraído e, aqui embaixo, não passa de um retrato na parede do Empório. Mas como dói.
O PAPA-FIGO – ANO XXIV (ops!) – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione
(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).
Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br


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