(OU O PANDEMÔNIO)
Por Zeferino Cascagrossa
A olimpíada do inferno
foi o maior escarcéu
a coisa foi preparada
pela mulher de Xexéu,
a avó de Satanás,
a bisavó de Caifás
e a tia de Fogaréu.
A tocha, bem diferente,
era formada de gelo
o hino, música baiana
cantada por Desmantelo,
um cão tinhoso e demente
que berrava um som estridente
montado no seu camelo.
Foi um furdunço tão grande
um verdadeiro sufoco
a multidão se espremia
em cima de um pé de coco
e só vaiava Satanás
que gritava “eu quero mais”
achando que era pouco.
Agradeceu os apupos
dizendo “eu não mereço
vocês são mesmo uns amores
mas tudo tem o seu preço
tou sempre fazendo o pior
- maldade só da maior -
por isso eu agradeço”.
A abertura durou
quase um século e meio
foi uma cerimônia bem breve
Deus foi chamado e não veio
mandou um representante
era um santo protestante,
seu ajudante mais feio.
Tudo ia muito bem
como foi planificado
com dois mil anos de ensaio
não podia dar errado
de repente a coisa muda
alguém gritou “Deus me acuda
ocorreu o inesperado”.
No meio da cerimônia
a coisa degringolou
Satanás saiu correndo
Belzebu se dispersou
a briga comeu no centro
quando alguém gritou de dentro:
“ACM aqui chegou!”
A partir daquela hora
tudo virou confusão
foi só tabefe e facada
empurra-empurra e bofetão
deram dedada no Demo
e partiram para o extremo
comeram a mãe de Cancão.
Roubaram a comedoria
apagaram o fogo eterno
o gelo se alastrou
o verão virou inverno
hoje o cão vive penando
pelo espaço levitando:
ACM herdou o inferno.
O PAPA-FIGO – ANO XXIII – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione
(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).
Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br


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