Ó, divina dama dos meus sonhos
Deusa de fantasia e de ilusão
Escapei de arder no fogo eterno
Hoje eu já seria um bom tição
Quantas vezes do mau caminho me tiraste
Da maldição de Onan tu me salvaste
E me livraste de morrer na mão
Quanto jovem coitadinho iniciaste
Tens ainda cada nome em caderneta
Tinham os rostos cobertos de espinhas
Pois nunca tinham visto a cara preta
Mas tu foste mesmo a salva-vidas
Com cheiros, chupadas e lambidas
Escaparam de morrer só na punheta
Quantas meninas lá na house acolheste
Em teu colo, tua casa, teu abrigo
Desamparadas, perdidas, sem destino
Encontraram a teu lado um peito amigo
Hoje estás vilipendiada
Na imprensa, exposta e acusada
Por aqueles que já lamberam teu umbigo
A lua lá no céu é testemunha
Que quem faz o bem sempre se ferra
Quem planta bondade colhe dores
Quem procura a paz encontra a guerra
Mas o Homem lá de cima tudo vê
E dou meu testemunho a você
Que cachorro late n’água e late em terra
Por isso finalizo minha ode
Em meu coração Odete é prenda
Estes versos que te canto, tão modestos,
São apenas uma pobre oferenda
Só te peço um pequeno favorzinho:
Pegue a borracha e bem devagarinho
Apague o meu nome da agenda.


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