Blog do papa-figo


30/04/2007


ODE A ODETE (Ou À casa das bundas ditosas)

Ó, divina dama dos meus sonhos

Deusa de fantasia e de ilusão

Escapei de arder no fogo eterno

Hoje eu já seria um bom tição  

Quantas vezes do mau caminho me tiraste

Da maldição de Onan tu me salvaste

E me livraste de morrer na mão

 

Quanto jovem coitadinho iniciaste

Tens ainda cada nome em caderneta

Tinham os rostos cobertos de espinhas

Pois nunca tinham visto a cara preta

Mas tu foste mesmo a salva-vidas

Com cheiros, chupadas e lambidas

Escaparam de morrer só na punheta

 

Quantas meninas lá na house acolheste

Em teu colo, tua casa, teu abrigo

Desamparadas, perdidas, sem destino

Encontraram a teu lado um peito amigo

Hoje estás vilipendiada

Na imprensa, exposta e acusada

Por aqueles que já lamberam teu umbigo

 

A lua lá no céu é testemunha

Que quem faz o bem sempre se ferra

Quem planta bondade colhe dores

Quem procura a paz encontra a guerra

Mas o Homem lá de cima tudo vê

E dou meu testemunho a você

Que cachorro late n’água e late em terra

 

Por isso finalizo minha ode

Em meu coração Odete é prenda

Estes versos que te canto, tão modestos,

São apenas uma pobre oferenda

Só te peço um pequeno favorzinho:

Pegue a borracha e bem devagarinho

Apague o meu nome da agenda.

Escrito por papa-figo às 09h46
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