Blog do papa-figo


28/02/2007


A AVANTAJADA COLUNA DE IVAN PÉ-DE- MESA

CEM ANOS DE FREGE

Carnaval é feito sogra, crente e quenga, tem em toda parte. Não há cristão que escape. Eu tinha jurado a Nossa Senhora do Pretérito Mais-que-Perfeito que nunca mais saía atrás de um bloco, de uma escola de samba, ou de um Maracatu. Mas o tinhoso tem artimanhas de que até Deus duvida.
Desde que resolvi fundar a igreja Enriquecer em Cristo - junto com minha amásia, quer dizer esposa, a bispa Eva Gina dos Prazeres –, não mais tinha caído em tentação. Noves fora umas gatinhas que andei traçando, umas latinhas que andei bebendo e uns bagulhos que andei fumando, que ninguém é de ferro. Mas quem é escravo não ama, já dizia o velho filósofo Bira Broquinha. E a força do destino é inexorável.
Já na sexta-feira de carná, Bione, o não sei o quê, não sei o quê geral deste semanário mensal, ligou pra minha casa, pro meu celular e mandou imêiu pro meu computa: “escuta aqui, ou tu faz a cover completa dessa porra desse carnaval ou tu e tua concubina estão no olho do cu da rua!”. E eu não podia deixar de seguir tão sábio conselho. Eis que, por dever de orifício, fiz feito Ronaldo: caí em campo.
Teclo essas mal-traçadas, em minha Lettera 22 portátil – último lançamento da Remington – sentado no mercado da Boa Vista, na barraca de Cristina, em plena quarta-feira ingrata.
Aqui tá rolando o maior clima, com o Bacalhau do Mercado de Santa Cruz. Tô todo vomitado, mas tranqüilo, tranqüilo. Hoje já saí atrás de uma porrada de bloco. D’Os Cornos, de Água Fria; do Que Merda é Essa, da Mustardinha; do Bacalhau do Batata, de Olinda; sem contar com o boi Espalha Merda, do Beco do Quiabo.
Não me sai da cabeça o emocionante frevo do famoso boi, que foi registrado, segundo o pesquisador Evandro Rabelo Pêlo de Camelo, há um século, por um jornal menor que o Papa-figo – o Jornal Pequeno. Uma parte da singela melodia foi encontrada num fóssil localizado na fundação Gilberto Freyre, junto com uma receita de batida de pitanga e um artigo de Fátima Quintas, pelo método do Carbono 14 Bis, e dizia: “Chamaram o meu boi de Espalha Merda/ E disseram que ele caga no funil/ É mentira, é mentira, estou dizendo/ Espalha Merda é a puta que o pariu...”.
Mas o frege do carná já vinha rolando desde que Cabral aqui aportou, pouco antes das primeiras mulatas africanas e bem depois dos caboclos de lança. O frevo pode ter cem anos, mas o frege mesmo tá de quinhentos pra lá. Evoé! Bleaaaarg...

O PAPA-FIGO – ANO XXIII – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione
(Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).
Bote no nosso E-mail: papa-figo@uol.com.br


Escrito por papa-figo às 13h29
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