SE MEU CRIADO-MUDO FALASSE (V)
DEUTSCHLAND – Vida de repórter tem suas vantagens. Menas a de correspondente de guerra, que é feito puta em fim de carreira, só toma no oiti. O locutor que vos tecla já cobriu várias copas e nelas várias colegas de profissão. Nessa não sei se vai dar, pois estou acompanhado com minha colega e amásia Eva Gina. E a mulher é braba que só membro do PCC.
No México, por exemplo, eu forniquei até mandacaru. Nos Estados Unidos, só não faturei a Estátua da Liberdade porque ela se assustou com o tamanho de meu prativai. Na Argentina, mais precisamente em Corrientes três, quatro, ocho, era a vitrola chorando viejos tangos e canciones e eu faturando até o gato de porcelana que a tudo assistia.
Na copa da Itália, no entanto, um fato ainda hoje me deixa com a moça atrás da orelha. Era um final de tarde e eu dava milhos aos pombos que povoam il Duomo. Depois de visitar o Scala, onde se apresentava o grande tenor brasileiro Reginaldo Rossi, saí à procura de um boteco onde pudesse chorar um pouco e arranjar um couro pra furar. Assoviando a famosa ária “Garçom”, contemplava as góticas silhuetas da famosa catedral. Eis que, de repentelho, me deparo com uma cena que me deixou com a sucuri mais dura do que corda de violino. Uma belíssima policial, de vestido longo e e cabelos negros que só a asa da graúna põe o pé direito no estribo e passa a perna no cavalo. A saia rodou no ar, deixando à mostra a calcinha branca como sua pele branca de neve. E eu ali, ao seu lado, estatelado, e só aspirando aquele cheiro de fulô de amor. Até o cavalo estava com a jabiraca armada. Sorri pra ela e pra minha surpresa ela correspondeu. Fui direto ao assunto: “Al vedo la signorina sobre questo bello caballo io tive una idea: que tal facciamo l’amore?”, lasquei no meu italianguês. Ao que ela respondeu, com um sorriso que nem o Código da Vinci decifrava: “Io no puedo perché estoy di servizio, ma il cavallo está a sus órdenes”.
Té a próxima.
PAPA-FIGO – ANO XXII – Fundador, editor, proprietário e office-boy: BIONE. Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br.
(Esta é uma obra de fricção. Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).


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