Blog do papa-figo


17/03/2006


A AVANTAJADA COLUNA DE IVAN PÉ-DE-MESA

SE MEU CRIADO MUDO FALASSE (IV)

 

Sexo e religião sempre andaram de mãos juntas. Não só mãos, como outras partes da anatomia humana – e animal, por que não? O maior tratado de sacanagem do planeta se chama Bíblia Sagrada. “Não cobiçai a mulher do próximo” é fichinha perto de outras passagens bíblicas mais picantes. Depois inventaram que sexo é pecado, que Maria nunca transou com José – ou José era corno ou era viado, ou ambos. E a humanidade nunca parou de crescer.

A vida do locutor que vos tecla foi marcada por sexo e religião, não necessariamente nessa ordem. Minha maior fantasia sexual sempre foi fuder com uma freira. Fantasia banal, vosmecê dirá. Mas a gente não temos controle sobre essas coisas, né mesmo? E o máximo que consegui comer foi uma hare-krishna. Com todos aqueles paramentos, dava uma trabalheira da porra até encontrar a bacurinha. Era o fumo entrando e ela recitando o mantra “Hare Krishna/ Hare Krishna/ Hare Hare/ Hare Hare...” Quando eu tava gozando, parecia que tava escutando Ravir Shankar e sua cítara. E os caras do Osho ainda dizem que teu corpo não existe, que é tudo uma ilusão. Sei que minha Hare Krishna se regenerou pra sempre. Largou a religião. Não o sexo. A última vez que a vi, tava vendendo incenso - por conta própria, diga-se - na praia de Iracema, em Fortaleza. Demos a saideira dentro d’água e nunca mais a vi.

Luzia foi outra aventura sexo-religiosa de minha vida. Era da Assembléia de Deus. Começamos a transar a partir de um negócio. Ela gostava de um relógio Lanco que eu tinha. Acertamos permutar o meu roskoff em troca de trinta trepadas no roskoff dela. De vez em quando errávamos a contagem, zerávamos o taxímetro e começávamos tudo de novo. E, pé-ante-pé, tava eu, quase toda noite, na cama de Luzia. Depois de afogar o ganso, Luzia cismava do quinca de ir lavar roupa, enquanto entoava o lúgubre hino de sua igreja, que dizia “Foi na cruz / foi na cruz que um dia eu vi/ meus pecados encravados em Jesus...” Tempos depois, descobri que meu segredo não era segredo pra ninguém. E toda vez que meus irmãos ouviam Luzia entoar “Foi na cruz, foi na cruz...”, comentavam, em plena mesa de jantar: “Ivan acabou de comer Luzia”.

Diante do exposto, vem-me à mente esta singela historinha sexo-religiosa. Está a vovó sentada com o neto, em um banco da praça do mercado de São José e pede para o garoto: “Meu netinho, vá chamar aquele lambe-lambe pra tirar um retrato da gente”. O menino sai correndo, para, em seguida, voltar meio sem jeito: “Aquilo não é lambe-lambe não, vovó. É um menino enrabando um padre”.

            Até a próxima atracação.

 

PAPA-FIGO – ANO XXII – Fundador, editor, proprietário e office-boy: BIONE. Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br.

(Esta é uma obra de fricção. Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou).

 

Escrito por papa-figo às 19h58
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