Blog do papa-figo


21/02/2010


AGUARDE

VOSMECÊ NÃO PERDE POR ESPERAR. O SITE DO "PAPA" TÁ SE MONTANDO.

Escrito por papa-figo às 11h59
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13/09/2009


DESCULPE NOSSA FALHA

ESTIVEMOS FORA DO AR POR MOTIVO DE FORÇA MAIOR. UM NEGÃO - QUER DIZER, UM AFRODESCENDENTE - ACRESCENTADO CHEGOU NA REDAÇÃO QUEBRANDO TUDO. ESPERO QUE DA PRÓXIMA VEZ ELE ENTRE SEM BATER.

Escrito por papa-figo às 13h05
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08/08/2009


Lei seca no Sertão é quando, depois de dois anos sem chover, o prefeito decreta estado de emergência.

Já não se pode beber, fumar já não pode. E agora, Drummond?

Tem estatística fajuta dizendo que a Lei Seca diminuiu o número de batidas. Só se for o de batidas de limão.

A lei é seca, mas a mão do guarda tá sendo muito mais molhada.

Dados mostram que a Lei Seca aumentou o número de acidentes. Dizem que é porque , depois de encherem a cara, os maridos passam o volante à mulher.

De lei em lei o boêmio enche o saco.

Por precaução, só tenho tomado caipirinha sem álcool. E, pra não arriscar, sem limão, sem açúcar e sem gelo.

Escrito por papa-figo às 10h49
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BIONE E OS CONTRAVÉRBIOS DA LEI SECA

Lei seca no Sertão é quando, depois de dois anos sem chover, o prefeito decreta estado de emergência.

Já não se pode beber, fumar já não pode. E agora, Drummond?

Tem estatística fajuta dizendo que a Lei Seca diminuiu o número de batidas. Só se for o de batidas de limão.

A lei é seca, mas a mão do guarda tá sendo muito mais molhada.

Dados mostram que a Lei Seca aumentou o número de acidentes. Dizem que é porque , depois de encherem a cara, os maridos passam o volante à mulher.

De lei em lei o boêmio enche o saco.

Por precaução, só tenho tomado caipirinha sem álcool. E, pra não arriscar, sem limão, sem açúcar e sem gelo.

Escrito por papa-figo às 10h47
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24/07/2009


MICHAEL SÓ MORREU PRA VOCÊ, FÃ INGRATO

A

ssim como Jota Cristo e
Lampião, Michael Jackson não
morreu. Segundo um evangelho apócrifo que nunca foi encontrado, o Todo Fuderoso se fingiu de morto e, depois que o tiraram da cruz, fugiu com Madalena pra Nova Jerusalém, onde usava o codinome José Pimentel. Apesar de garantir que só tinha 33, aparentava quase 2 mil anos. Sendo considerado muito velho para representar ele próprio quando jovem, fugiu para o Recife e hoje vive quase anônimo em Santo Amaro, com a patroa e onze pimpolhos. O décimo segundo, conhecido como O Beijoqueiro, sumiu. Foi visto pela última vez no Vaticano, tentando dar um beijo no Papa, e por lá deve ter ficado por falta de 30 dinheiros para a passagem, pois segundo dizem vivia enforcado.

Escrito por papa-figo às 09h25
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Escrito por papa-figo às 09h23
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11/07/2009


ECOS DO SÃO JOÃO

VITALINO É O DEUS DO BARRO

E SARNEY É O DEUS DA LAMA

 

As festividades juninas deste ano foram das mais quentes. E não foi só por causa das fogueiras. De cabo a rabo do Brasil, o São João do Carneirinho arrombou a boca do balão. Em Brasília, por exemplo, além da boca do balão, os animados forrozeiros arrombaram as portas do cofre. Concorrendo com a Capital do Forró, a Capital Foderal investiu pesado nas quadrilhas. Enquanto na terra de Vitalino imperam a Gaydrilha e a Sapatrilha, no Planalto Central predominaram a Sarneydrilha, a Senadrilha e a Agacieldrilha. Além desses folguedos, rolou de um tudo. Teve nego que pulou fogueira, feito o Edmar Castelão. Teve um metalúrgico que, acostumado com os altos fornos das indústrias, resolveu botar a mão no fogo e agora se encontra com as barbas de molho.

Na casa de forró Salão Azul, enquanto os Tubarões do Forró roubavam o espetáculo, a mesa diretora de iguarias juninas fazia sucesso e todos queiram pegar uma boquinha. E o resultado é que se viu muita gente queimando a língua e outros terminando com batata quente na mão.

Não faltou a tradicional guerra de espadas, que, por ser considerada uma brincadeira ultrapassada, gerou protestos dos integrantes do PMDB do B – Partido do Movimento Da Bicharada do Brasil -, que acusou o folguedo de machista e homofóóóóbico. Em lugar das espadas, eles optaram por soltar estrelinha, traque de massa e rodinha. Daí em diante o panorama mudou. O que se viu foi nego de quatro atrás da porta queimando estrelinha, outros pulando de susto pelo barulho do traque de massa. Mas a maioria preferiu mesmo foi soltar a rodinha.

 

A QUADRILHA

Alvantu! (que em francês significa "leva tudo")

Anarriê! (que significa dar ré)

Balancê! (que na língua de De Gaulle significa "balançar")

Lá vem a polícia

Sujou, sujou!

Olha a entrevista!

Olha a mansão!

Olha a chuva!

Daniel Dantas vai falar!

- Todos correm e a festa acaba.
- Começam a cair notas no salão e todos correm pra pegar o maior número que puder.
- Todos gritam "não é minha, não minha"...
- Todos começam a gritar: "eu não sabia, eu não sabia"...
- Todos escondem o rosto com o paletó.
- Todo mundo bota mão pra cima.
- Agaciel e seus cabras botam todo mundo pra dançar.
- Alguns devolvem a grana dizendo que foi um engano, enquanto outros se escondem atrás das colunas.
- Todos correm e esvaziam o cofre mais próximo.
- Lá pelas tantas, com o quengo cheio de quentão, cumpade Zé Sarney, o puxador oficial, resolveu começar a quadrilha. Ao som de uma sanfona de oito baixos – quando foi comprada tinha120 baixos, mas 112 foram doados ao grupo de forró "Agaciel e seus 40 cabras da peste", através de um ato secreto. Para quem não entende de folguedo junino, aí vai o roteiro da Sarneydrilha:

Escrito por papa-figo às 16h39
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01/07/2009


NA PONTA DA LÍNGUA

PROF. AURÉLIO BURACO DE OLINDA

 

Dor encausada – refere-se a um malestar (olha a nova regra aí, gente!) difuso, mas ao mesmo tempo localizado no tórax ou no abdome. O problema é que, quando você consulta o médico, só recebe uma dessas três explicações, que, aliás, servem pra tudo: virose, mau-jeito ou gases. 

Taca porra! – ato de arremessar espermatozóides em algo ou alguém. No entanto, hoje se usa para uma série de situações. O Sport leva o maior sufoco do Palmeiras: “Taca porra!”, exclama o torcedor. Chega a conta da luz: “Taca porra!”, grita o consumidor. Passa uma reboculosa, numa minissaia daquelas: “Taca porra!”, suspira o taradão.

Fiquei incrível – combinação do verbo ficar com o adjetivo “incrível”. Esta expressão é usada nas mais diferentes situações, como substituta de outras interjeições como “fiquei boquiabrido”, “cagüei-me” e “varei!”. Mas toda vez que eu vejo alguém exclamando “eu fiquei incrível”, eu fico incrível.

Carai! – palavra com a qual tive contato a vez primeira quando ia com uma pessoa no carro e caí num dos muitos buracos da cidade. Dirigia, na realidade, voltando da escola de minha filha e foi ela quem exclamou tão singelo vocábulo. Perguntada onde ela, aos 5 anos, havia aprendido aquela palavra, respondeu: “Ah, pai, na sala todo mundo só fala isso, até a professora”. Ah, bom.

Rachada – substantivo feminino usado para designar algo que é quebrado parcialmente, fissurado. Emprega-se também para nomear as mulheres femes. Palavra que pode ir desde a grosseria até o sublime. Lembre-se da canção infantil que tinha o seguinte estribilho: “Ai, ai, ai, minha rachadinha/ ai, ai, ai, minha rachadinha, tenho coisa boa pra você ser minha...”

– Apesar de curta, trata-se de uma das mais complexas palavras da língua de Camões. Na hora em que a pessoa exclama “é uó!”, dependendo da situação, pode estar tecendo um elogio, uma crítica ou um desprezo. Esse vocábulo é muito empregado pela turma que gosta de soltar uó.

 

Escrito por papa-figo às 09h01
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15/06/2009


ALBERTO PITBULL, O CRONISTA ANTI-SOCIAL

MARCO ZERO - Marco Macieza, o Marco Zero de Pernambuco, encontra-se em plena campanha para se reeleger senador. A fim de ganhar maior visibilidade política pretende subir num muro ainda mais alto. Gustavo Krise, que é tamborete de forró, foi dispensado.

LUA DE FEL - Não chamem para a mesma cama Humcerto Costa e João Paulo Coelho, parece que aquela base do só vou se você for é coisa do passado. O ex-burromestre já partiu para outra. Tem sido visto almoçando com o novo camarada, Inocente de Oliveira. Pra mim tem boga no meio.

CADELA DE JUBA - Depois do sucesso na primeira fase da Libertadores, os peladei..., quer dizer, atletas do Sport acharam que iam elevar o nome de Pernambuco aos píncaros da glória. Nisso, a embriaguez do sucesso subiu à cabeça e agora eles se encontram em ressaca cívica.Nem um caminhão de Engov dá jeito.

TRÊS VEZES ZERO - O episódio da CPI da Petrobras deixou uma coisa bem clara. Pernambuco tem três senadores no Congresso Nacional, mas se batermos os três num liquidificador não dá um copo de vereador de Pixoxó do Miriririm.

FUI DE COSTA - João de Costa informa à coluna que não está nem um pouco preocupado com a questão do lixo que toma conta de nossas avenidas, ruelas e becos. Procurado por nossa reportagem, deixou um pequeno e elegante recado pregado na porta: “Fuiiii!”. Por falar em lixo, parece que ele está se lixando.

VADE RETRO - Torcendo para que a administração João de Costa dê com os jegues n’água, o Democratas (quá, quá, quá!) criou um boneco chamado João Lixão. Como o inverno traz o risco de desabamento de barreiras e outros transtornos, os caciques do partido têm-se reunido toda manhã para fazer a dança da chuva. Sai-te, demo!

Escrito por papa-figo às 20h03
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30/05/2009


Escrito por papa-figo às 18h45
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LIBERTADORES: O SPORT POR UM PORCO NÃO FOI CAMPEÃO

ILHA DO RETIRO ESPIRITUAL (Via Agência Fúnebre) - O valoroso timeco do Sport fez bonito na Taça  Libostadores das Américas e por um porco não se tornou o primeiro clube do Nordeste a levantar o caneco. Desde o início da competição o time da praça da Bundeira mostrou que não estava pra brincadeira. Foi lá nos Andes e deu uma surra no Coco-Colo, depois abateu o time da EMTU, em seguida desceu das alturas e pegou o Palmeiras.

Dizem as más línguas que em sua primeira viagem, A Coisa, como é carinhosamente chamado pelos torcedores do Santa e do Náutico, andou pegando umas folhinhas que vendem América Latrina afora e agora, que passou o efeito, o valoroso esquadrão anda apanhando mais do que couro de tambor de macumba.

Agora a valente torcida burro-negra anda culpando o time do porco pela tragédia de sua equipe não ter sido campeã. “O Palmeiras podia muito bem não ter vindo ao Recife, como fez o Flamengo em 87, não podia?!”, perguntava revoltado Mordido do Poico, chefe da torcida desorganizada Quadrilha Jovem. É tanto que depois da partida o grito dos torcedores ecoava pela cidade: “Queremos W.O., queremos W.O. , queremos W.O...”.

Desassossega, Leão, os demônios do inferno da Segunda Divisão tão chamando.

Escrito por papa-figo às 18h43
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22/05/2009


A DATA QUE NÃO QUER CALAR

O 31 de março passado foi comemorado, bebemorado e até fudemorado nas casernas como uma data marcante da história brasileira. E a chamada sociedade civil – onde já se viu? – ficou caladinha, como se nada tivesse ocorrido. Se o locutor que vos tecla no poder estivesse, decretava feriadão, feito o da Paixão de Cristo ou o do esquartejamento de Tiradentes. No 31 de março – ou melhor, 1º de abril – de 1964, a história brasileira foi crucificada, nossa Constituição esquartejada, e um bando de gorilas se autoproclamaram centuriões da Nação e tomaram para si o destino de milhões de cidadãos e cidadãs que nunca viram seus rostos e jamais os elegeriam para dirigir suas vidas.

E ainda hoje têm o cinismo de comemorar, como se tivessem colocado o Brasil na era da modernidade e a salvo das garras do “comunismo pagão”. Quando, na realidade, a herança que deixaram foi a maior concentração de renda do planeta e, por consequência, a maior violência idem. Tudo isto às custs de prisões, tortura, morte e degredo dos nossos melhores homens (e mulheres) públicos. E muita gente boa ora se cala em troca de 30 dinheiros esmolados a título de indenização, como se a sociedade de hoje tivesse que pagar pelos desmandos que um bando de paranóicos perpetrou em nome do estado brasileiro.

Neste mês de maio que também são lembrados os 40 anos da morte do Padre Henrique. Ele foi torturado e morto covardemente a mando de figurinhas e figurões que hoje frequentam as colunas sociais epolíticas dos desmemoriados jornalões, pousando de modernosos. Muitos deles reverenciando, hipocritamente, os 100 anos de dom Helder. Eles são os mesmos traíras que mataram Frei Caneca e os heróis de 1817. São os Magalhães, os CCCrauses, os Maciéis da vida.

O que dói mesmo é ver os Vasconcelos, os Zé Arlindos e os Chico de Assis de lutas d’antanho a comer e a beber no mesmo cocho, como suínos submissos, que não mais conseguem erguer o olhar.

Que a lama não lhes seja leve. Amém.  

Escrito por papa-figo às 12h41
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11/05/2009


MEU DIÁRIO DE VIAGENS: OBAMA EXCLAMA PARA MIM: "ESSE CARA É UM CARA DO CARALHO!"

TRINIDAD Y TOBAGO (Ivan Pé-de-Mesa, enviado especial) – Designado a cobrir essa tal de Reunião de Cópula de las Américas, lá foi-se o locutor que vos tecla descobrir onde goitana fica esse tal de Trinidad Y Tobago. Pensando tratar-se de uma dupla caipira, fui bater em Barretos, no interior de São Paulo. Lá, no entanto, fui informado de que a dupla não mais existia. Com a morte de Trinidad, Tobago agora estava cantando ao lado de Leonardo, formando a dupla Leonardo e Tobago.

Ligando para a redação, me informaram que a tal reunião ocorreria num país da América Latina. Puta que os Caribe! Fui pra Estação da Luz e peguei o trem Madeira-Marmoré. Ao ver que ninguém vinha cobrar minha passagem, pedi informações a um senhor muito do branco, sentado solitário. Ele me informou que aquele era um trem fantasma, pois a ferrovia nunca fora inaugurada e que aquela composição só trans-portava as almas dos trabalhadores que morreram durante a frustrada construção da ferrovia. Mas ele daria um jeito de me deixar em Trinidad Y Tobago.

Nisso ouvi um papoco e me vi caído no porão de um navio, onde um marinheiro tentava me acordar, utilizando um balde de água gelada. Ele então me explicou que, na realidade, eu havia topado fazer aquela viagem até Trinidad y Tobago lavando os porões daquele cargueiro, que fazia o transporte de rum, do Caribe para a fábrica da Montilla em Suape. O pessoal só estranhava que eu, antes de lavar os porões, ficava lambendo as paredes e bebendo os resíduos de rum que se acumulavam nos cantos dos reservatórios. Até desmaiar de tão bêbado.

 

UMA AVENTURA DO CARIBE - Depois de me recompor com um café amargo e dois copos de rum, desci a Port of Spain, a capital. A presença da importante reunião estava em toda parte. Comunistas e hippies se misturavam aos figurões, chegando a lembrar Olinda, que eu supunha ser o único lugar do mundo onde ainda existem comunistas e hippies.

No campus onde se realizavam as sessões, via-se de um tudo. Evo Morales, por exemplo, arrastava um fardo de folhas de coca para consumo próprio, argumentando com Obama que aquilo não fazia mal a ninguém. Ao que o americano afirmava que preferia Pepsi. Cristina Kirschner puxava Nestor pela coleira e Chávez empurrava Fidel numa cadeira de rodas, devidamente disfarçado de Chapolin – Fidel, não Chávez. Num canto escuro Lula batia quatro dedos de prosa com Lugo, que tentava se esconder de um bando de pirralhos de diferentes idades, que o procuravam com exames de DNA em punho.

Foi nesse momento que resolvi me aliviar do excesso de rum ingerido e me dirigi ao primeiro mictório que encontrei. Ao começar a verter água, notei que um negão que mijava a meu lado começou a arregalar os olhos e apontar pra minha sucuri. “My God!”, balbuciava ele, enquanto comparava a minha jabiraca com a sua. Ao olhar direitinho, notei que se tratava do companheiro Obama. “That’s the man!”, repetia ele, assombrado.

E, sem mais nem menos, me arrastou pelo braço, saindo de uma espécie de túnel exatamente num palco em frente à multidão que se acotovelava à espera de seu discurso. Ao surgir em frente ao microfone, ele ergueu meu prativai e berrou: “Man, this man is the man of the dick!”. Ao que o populacho delirava: “Yes we can!”, “Yes we can!”… Senti minhas forças a se esvair ao som daquele estribilho. “Man, this man is the man of the dick!”. E o eco “Yes, we can!”... Acordei, no dia seguinte, com uma dor de cabeça da goitana, com a cara sobre minha velha máquina Remington 22, na redação do “Papa”. Só estranhei quando encontrei em um guardanapo no bolso do meu jaquetão: “Call me tomorrow”.

 

O PAPA-FIGO – ANO XXV – Fundador, proprietário, editor e office-boy: Bione (Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas-vivas ou extraviadas será mera paranóia de quem achou). Bote no nosso e-mail: papa-figo@uol.com.br

 

Escrito por papa-figo às 11h58
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26/04/2009


CARTA ABERTA AO PREFEITO DO RECIFE

Exmo. Sr. João da Costa,

A sabedoria política é feito alguns vinhos, amadurece com o tempo. Um enólogo apressado pode botar uma safra a perder. Essa história de “medidas de impacto”, um jargão político para administradores recém-empossados, talvez não tenha sido bem assimilada por Vossa Excelência. Esqueceram de dizer ao senhor que o “impacto” aí não é sinônimo de porrada, mas medidas administrativas imediatas que tenham efeito positivo sobre parcelas da população e reverberação política na mídia e nos elementos formadores de opinião.

Desde que o senhor assumiu, imagino que burocratas que o cercam têm-no instado a adotar ações que em várias ocasiões têm levado aos atingidos gritarem palavras de ordem como “quero meu voto de volta”. Ora, sem estudo prévio ou discussão, o senhor, no melhor estilo “prendo e arrebento”, proibiu a venda de petiscos na praia. Ora, uma cidade praieira e de tradição de mascates como o Recife não suportaria tamanha truculência. Isto sem falar que nossa orla, ao contrário de outras capitais, não possui bares de praia, exatamente por culpa de nossos governantes.

Só pra refrescar vossa memória, o Projeto Cura, financiado pela Caixa Econômica Federal, há cerca de 20 anos atrás, previa a instalação de palhoças ao longo da orla e uma espécie de praça de alimentação no Segundo Jardim, que inclusive chegou a ter o contorno alargado à frente do Califórnia, para o desvio da avenida. Ocorre que o então prefeito recém-empossado, sr. Joaquim Francisco, alegando que isto aumentaria o alcoolismo na cidade –ai! - alterou o projeto e só manteve as barraquinhas de coco, inclusive as proibindo de vender sequer latinhas de cerveja. Onde ele enfiou a grana que sobrou do projeto não se sabe.

Proibir as pessoas de venderem os deliciosos camarões à la Expedito, as ostras de Itapissuma  – faz 30 anos que as consumo e nunca tive uma flatulência –, os caranguejos de coco, é tirar de uma vasta parcela da população sua única fonte de renda.  E condenar os banhistas à fome eterna. A Bíblia já dizia, dai de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. Vetar as cervejas em garrafas de vidro é outra insanidade de burocratas. Isto é medida para ser tomada em campos de futebol ou aglomerações similares. As garrafas são mais econômicas, higiênicas e poluem menos que as latinhas. Argumentar que quando quebradas tornam-se uma arma é oligofrenia pura. Nunca vi uma briga na praia, exceto nos negros tempos do Recifolia. Outra coisa, o senhor já viu alguém conseguir quebrar uma garrafa na areia? O cara que conseguir tal façanha não precisa de garrafa para acertar o desafeto.

O famigerado Dircon tem sido a sua linha auxiliar, designado que está sendo para fazer o trabalho sujo de sua administração. Bater em camelô, arrastar pelas ruas vendedor de espetinho, invadir bares para confiscar o som, sem qualquer ordem judicial ou comunicação prévia fazem lembrar tempos idos, que Deus queira que não voltem mais. Enquanto isso, o centro da cidade se dilacera, esburacado, alagado e cheio de lixo.

Na sexta-feira, dia 24 de abril, testemunhei – e até fui vítima - de um episódio, como se diz, emblemático. Estávamos sorvendo nosso Jack Daniel’s, devidamente aboletados numa mesa à frente do bar Central, quando dois caminhões pararam e deles desceram alguns homens de preto. Eles começaram a se aglutinar, feito formigas assassinas, que se reúnem, antes de desfecharem o ataque fulminante. Daí em diante o que se viu foi uma sequência de grosseria e abuso de autoridade. Ele nos expulsavam das mesas e ameaçavam quem insistisse em permanecer sentado. A reboque, os trogloditas do batalhão de choque invadiram o espaço, ameaçadoramente. Chegaram a bater e levar em cana o garçom Yorubá, do Central, que apenas tentou segurar uma mesa para guardá-la no bar em vez de entregá-la ao fiscal. Lembrei da frase atribuída a Otto Lara Resende: “Não tenho medo do general; tenho medo do inspetor de quarteirão”. Isto tudo ocorreu numa rua, onde raramente passa um carro ou um pedestre e que sem o bar estaria entregue às baratas, ratos e marginais que infestam outras artérias do centro. 

Excelência, dizem as más línguas que o senhor não bebe. Nada contra, embora ache que o defeito maior do ser humano seja a abstinência. Mas o aconselharia a dar uma esticadinha até as efervescentes ruas do Quartier Latin, de Paris; às verdadeiras passarelas, protegidas por arcos milenares, de Florença ou de Roma; ou aos Biergarten de Munique. Mesas, cadeiras e pessoas se aglutinam numa festa diuturna. “Mas lá eles são disciplinados”, argumentaria o senhor. Tudo bem, senhor prefeito, discipline, discipline.  Entre isso e tomar as “medidas de impacto” que Vossa Excelência está tomando há uma distância quilométrica.

Conselho final: mude de rota enquanto é cedo. O povo que o elegeu já está começando a pedir seu voto de volta e a fazer trocadilho impublicável com seu nome. Passar bem.

Manoel Bione    

Escrito por papa-figo às 19h21
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16/04/2009


Escrito por papa-figo às 17h12
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